"Não existe em uma mulher parte do corpo mais especial do que os seus olhos. Através deles se iniciam grandes histórias, grandes amores. Um olhar é o início de tudo, uma grande paixão". Chico Buarque. Concordo Plenamente.
Não tenho a menor explicação porque me apaixonei pelas corridas, na verdade foi uma brincadeira que começou em 2011, quando fiz a minha primeira prova ( Pique-Unimed- Niterói-9km), fiquei super empolgado e resolvi correr a Volta da Pampulha (sou barrista mesmo), confesso que não estava preparado, quando cheguei aos 13 k, tudo começou a doer, 16 k estava me arrastando, foi quando entendi que não poderia desistir naquele momento, conseguir superar o meu primeiro desafio.
As corridas se tornaram uma grande paixão na minha vida. Não sou do tipo que tem um relógio, planilhas, equipe ou treinador, apenas uso filtro solar. Em 2012 fiz varias corridas. Perdi a noção dos quilômetros, tempo, espaço, tudo ficou adimensional.
Quando faz sol, ele me aquece. Quando chove, lavo a minha alma. O vento é meu amigo e inimigo. Correr é meu tempo, meus sonhos, minhas listas, minha Vênus, o meu quadrado de oito, meu momento de lucidez e embriaguez, meus olhos nos olhos , minha terapia, minha esperança de dias melhores.
Corro sem pensar, sem competir, tenho apenas uma estratégia (10 k, carboidrato). Depois deixo as pernas me levarem, meus pensamentos ficam perdidos no infinito. É quando não tenho obrigações, compromissos, metas, PDCA, problemas, emissões, obstáculos, suco de caju, paixões, fantasmas, esporos e acredito que o impossível e possível, que vou encontrar meu caminho nessa escuridão louca.
A corrida da Ponte é isso tudo (lua em sextil com marte e sol), uma vista maravilhosa, como em Quêbec Marathon Des Deux River. Quando começo a correr, o Rio está na gleba. Por sobre o mar, já na Ponte, me esqueço da vida, do outro lado, o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, a Fortaleza de Santa Cruz, a Baía da Guanabara e o horizonte profundo de seus olhos. Aos poucos, Niterói vira gleba. O Rio se aproxima, já estou na perimetral, nesse momento que se pôde perceber quem são os “meninos” e quem são os “homens”. De repente, estou na chegada, com a sensação de querer começar de novo. +21,NYC, November 3, 2013.
E agora vou estar lá, com chuva ou não. “Olhos nos Olhos, quero ver o que você me diz, quero ver como suporta me ver tão feliz”.
اس کی سبز آنکھوں, inesquecíveis, que mora em meus sonhos secretos, meus pensamentos e na minha memória. “Você passou perto de mim / sem que eu pudesse entender / levou os meus sentidos todos pra você. Pedi ao vento pra trazer você pra mim”.
Queria muito encará-la
novamente e dizer, olhando nos seus olhos: “Quando a luz dos
olhos meus / E a luz dos olhos teus / Resolvem se encontrar / Ai, que bom que
isso é meu Deus / Que frio que me dá o encontro desse olhar. La ra ri ra ra
ra...La ra ri ra ra ra...La ra ri ra ra ra...
Cheers

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